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Àquela praça...


Naquela manhã, acordou sem muitas aspirações.
Previra que seria mais um dia com as pirações, que surgem na sua cabeça, vez ou outra. 
Decidiu que faria então uma rotina diferente, com menos preocupações a lidar. Saiu a esmo, estava buscando o encontro consigo para então trazer de volta suas inspirações.
No caminhar, logo perto de sua casa avistou a praça, como estava sem pressa, decidiu sentar-se,até o clima e o tempo enfim estavam aquém das expectativas naquele dia, céu meio acinzentado, nuvens escuras, carregadas, num prenúncio de provável chuva forte. Mesmo com este cenário, ficou ali sentado naquela praça, a mesma que por tantas e incontáveis vezes cruzara em sua rotina, mas que nunca (quase nunca) havia se sentado para apreciar a arquitetura nem mesmo contemplar a pitoresca visão do lugar.
Na verdade, sua sempre movimentada e apressada rotina, não deixava perceber a singela porém enorme beleza do lugar. Ao sentar-se, pensou: essa praça, sem nenhuma graça, como poderá me trazer inspirações? Àquelas mesmas que foram repentina e estranhamente embora de sua mente?
Então sentado, sem pressa, sem mais preocupações começou olhar para ver se haveria 'graça' naquela praça.
Aquele lugar:
Aonde podia se ouvir o suave tilintar de diversos cantos pássaros; canários, tizis, periquitos, colibris entre outros...
Aonde podia se observar enormes, belas e antigas; históricas árvores, que dão sombra aos que dela requerem, guarida aos menos abastados e mais necessitados...
Aonde se podia contemplar um engenhoso chafariz que derramava suas águas cristalinas, que em determinadas horas do dia, refratavam a luz solar, num colorido cheio de magia ao olhar...
Aonde crianças passavam o dia a brincar de ciranda, amarelinha, e alimentavam os pombos, e corriam e riam e eram felizes na inocente idade que ser feliz é a única 'preocupação'...
Aonde havia um coreto que recebia uma ilustre banda de instrumentais que primava em executar, Beethoven, Bach, Mozart, Chopin, entre outros...
E de repente, começou a chuviscar (chuvinha fina), sem muitos estardalhaços e barulhos; enquanto estava ali onde sentara pela manhã, a observar os detalhes, mas não se preocupou com a chuva, se deixou molhar, continuou ali; buscando suas inspirações, passou boa parte do dia naquela praça, que outrora não tivera nem uma graça, doravante porém, tem muitas e muitas, e que encheu-lhe a mente, pois observara melhor cada minúcia, cada acontecimento, apreciou os momentos em 'slow motion', sem a correria do dia a dia, com olhos de poeta, com olhos que realmente enxergam e não apenas veem...

{Bros}

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